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Implacável com o que não se barganha


A Barganha do Despertar

Você já se deu conta de que no mundo em que vivemos atualmente as pessoas percebem cada vez menos as coisas mais importantes? Ninguém parece se dar conta de que o tempo é curto demais para apreciar, conhecer e aprender mas estão sempre muito atentos para tudo aquilo o que não presta e tal brevidade é desperdiçada na dedicação daquilo o que não precisa realmente de atenção ou ao que desperdiça energia de vitalidade continuamente nas problematizações.

Todo mundo tem uma opinião formada sobre tudo e o despertar em muitos casos é visto como barganha para uma sede de poder, atenção ou simplesmente por carência ou preguiça de cocriar.

Ora, todos nós já estivemos nesse lugar em algum momento, distorcendo por querer ou sem querer algo significativo, porque acreditamos que agora somos melhores do que ontem por causa das transformações que conseguimos efetivar em nossas vidas.

Todos nós já passamos por essa arrogância sutil de querer acordar os outros a todo custo para que eles vejam o que nós já conseguimos enxergar e de certo modo não há nada de errado em querer transformar algo que se sabe fazer muito bem em benefício próprio. Mas eu gosto de pensar que não existe nada mais poderoso do que uma intenção – se a intenção por trás do benefício é algo maior do que o benefício próprio, penso que tudo o que precisa ser feito para atingir isso é muito mais do que válido, é necessário, e a gente consegue perceber essa honestidade muito nitidamente numa diversidade de trabalhos por aí.

Bem, é justo dizer que apesar disso é possível ver a cara da mudança sorrindo para nós todas as vezes em que vemos pela internet pessoas passando por isso, no entanto, quantas das pessoas ao nosso redor poderíamos dizer que vivenciam o mesmo processo?

Por certo que existe sim uma energia sutil porém vigorosa ao ar, nas coisas, em cada pequena atitude humana e não estou falando sobre bem e mal ou bom e ruim, estou falando das transformações que residem naturalmente em cada escolha, pensamento, ação, decisão e isso convergindo sempre para um macro que é tão imenso que por vezes não conseguimos alcançar.

Talvez eu esteja ficando velha, ou apenas esteja desperta, mas vivemos o absurdo dos absurdos.

Como em todos os períodos da história da humanidade acredito que precisamos também estar preparados para a deturpação até mesmo daquilo o que é desperto, já que o mundo ainda é muito mais superficial do que presença. Ainda observamos o que poderia dizer se tratar de uma certa romantização daquilo o que é carente, como se a própria consciência fosse uma fase da moda.

Ora, acho que talvez a maioria de nós já estivemos nesse mesmo lugar e sinto que agora isso já nem importa mais muito, porque no fim tudo precisa assumir um papel e é nesse mesmo papel que tudo tem também o ultimato de sua complicada finalidade na existência.

Muitas vezes parece se tratar mais de uma plenitude comprada a fim de satisfazer o bolso da selvageria que resulta de uma semente cultivada em sede de poder.

Mas, será possível que estejamos realmente libertos do charme dessa barganha?

Tudo faz o seu papel e se a noção de bem e mal é apenas humana, bem, cada papel precisa servir a um propósito e quem sabe tal propósito seja onisciente demais para que possamos ainda em nossa fragilidade humana compreender.

Talvez o melhor que possamos fazer nesse sentido é aceitar que tudo aquilo o que achamos que compreendemos muito provavelmente é incompreendido, ainda que ao mesmo tempo graciosamente sacie nossa vontade de nomear, mas permanece como algo inteiramente pessoal.

 

Paul Otlet e a Nova Era da Comunicação e Informação

Parece que Paul Otlet estava certo em “O Tratado da Documentação” publicado em 1934 quando falou sobre a gigante onde tudo estaria disponível e atualizado constantemente, substituindo os livros e os meios de comunicação, pesquisa e documentação por uma “tela” que seria a contemplação de todos os meios de informação e comunicação ao mesmo tempo.

Fabulosa visão, relativamente bem antes do primeiro computador ser inventado.

 

“(..)estes instrumentos, tidos como substitutos para o livro, na verdade se tornarão o novo livro; as obras mais poderosas para a difusão do pensamento humano…será como uma biblioteca irradiada e o livro na televisão.”

 

Esse trecho foi extraído de um documentário sobre Paul Otlet, o que acredito ser um pensamento seu exposto em uma das mais de cem caixas de escritos deixadas por dele. Aliás, essa é uma recomendação de uma recomendação, mas assistam o pequeno documentário chamado “Paul Otlet – O homem que quis classificar o mundo”, onde um dos pais da Ciência da Informação banha nossa mente com sua personalidade incontestavelmente visionária e inconformista.

Vale a pena demais conhecer esse grande nome da história da informação, mas enfim.

De fato a internet se tornou um poderoso meio de difusão do pensamento e do mesmo modo que isso foi necessário e essencial na construção do mundo, da sociedade e do indivíduo como conhecemos hoje, também não deixou de ser faca de dois gumes em nenhum momento.

Talvez no fim das contas tudo seja sobre evolução, nada mais e nada menos do que evolução.

 

O Passarinho Que Me Disse

E é assim, nessas divagações, que culminou o fim de uma manhã de segunda-feira quando após um banho reflexivo sobre meus próximos passos, o universo me presenteou por mais um dia com um pequeno passarinho subindo pelo muro vizinho da forma mais inusitada possível – o que obviamente me colocou a refletir uma vez mais sobre a minha própria realidade.

Eu gosto de observar a natureza, buscar entender como o ambiente externo também fala muito sobre o meu mundo interior e como essa compreensão toda me ajuda constantemente a entender mais sobre a minha própria jornada por aqui, tudo na natureza para mim é sinal significativo.

Por isso, considero válido compartilhar esse pensamento e contar esse causo da forma como interpretei naquele momento em que eu já vinha de uma circunstância banhada de questionamentos bem pouco indecisos, mas ainda assim cheios do benefício da dúvida.

 

Uma Cena Inusitada

Eis que eu estava na frente do espelho passando creme nas pontas do meu cabelo que amanheceram um pouco ressecadas, quando repentinamente vi através dele um passarinho pousando no muro do vizinho. Bem, é comum eu parar tudo o que estiver fazendo para apreciar a natureza, especialmente quando surgem essas presenças ou situações bem de repente.

Comecei a olhar aquele passarinho com atenção e observei ele escalar uma parede ainda em construção de uma forma que eu nunca tinha visto antes nenhum outro fazer, inclusive cheguei a pensar que ele estava ferido porque realmente foi muito inusitado ver ele subindo verticalmente pulando de tijolo em tijolo, não voando e de padrão livre como normalmente vemos.

Ele simplesmente parecia subir degraus, ou escalar mesmo, me deixando passada com a cena que eu via bem diante dos meus olhos. Parece que não era nada demais, mas cada elemento dessa cena carregava um significado profundo, inclusive o próprio muro em construção. 

Não estava ferido, apenas queria fazer as coisas daquele modo pois era o que fazia sentido naquele momento e fez isso tijolo por tijolo, em cada frestinha ele aproveitava o “terreno” para continuar subindo cada vez mais, sem nunca esmorecer pelas dificuldades de escalar daquela forma.

Assim, ele chegou na seção reta do muro e começou a seguir em frente como quem anda numa via pulando corda, mas sempre olhando para cima como se mirasse algo maior – a parte mais alta.

O que me chamou mais a atenção foi que mesmo diante de um objetivo claro, de repente o passarinho olhou para o outro lado e saiu voando para uma direção totalmente oposta e a meu ver foi a melhor escolha, porque ele decidiu voar para o topo de uma árvore bem verde a qual em relação ao muro era um pouco mais baixa mas que certamente lhe trouxe um bem estar e uma alegria muito maiores do que a que aquele muro de concreto poderia lhe oferecer.

Essa situação conversou tanto comigo naquele momento que eu sorri e agradeci ao universo e a espiritualidade por me trazer sinais de que eu estava alinhada ao que é melhor para mim.

 

Minha Moral da História

Não importa se você decide seguir caminhando, correndo, pulando, voando, na horizontal ou na vertical, o que importa é que você esteja sempre presente, consciente e disposto a seguir em frente e chegar a algum lugar que faça sentido para você.

Que você tenha fé e confiança naquilo o que está fazendo, em si mesmo e na forma como está seguindo, sem medo de enfrentar dificuldades, de perder algo ou de seguir devagar por uma estrada íngreme – passo por passo e atento ao que está ao seu redor.

Que você seja visionário e inconformado com as comodidades, a fim de construir um momento e uma realidade que seja significativa para você e alimente a sua alma e o seu espírito, mas que você não esqueça em nenhum momento que as vezes também é preciso reconsiderar, mudar de direção, se arriscar no desconhecido e por vezes se mover diferente mesmo que atolado de inseguranças.

Que você tenha a coragem de trilhar caminhos que possam ser tortuosos se for preciso, resistir em nome de sua máxima verdade, especialmente se o que visualizar que o espera lá na frente for impagável e inegociável. Porque quem somos, o que sonhamos, como pensamos, nossos desejos, o que nos alimenta, nossa alma e nosso espírito são coisas que não se barganham.

Assumimos as consequências daquilo o que precisa nascer, ser e vigorar dentro de nós e em nossas vidas, essa conta quem paga sempre somos nós e a sustentação dessa jornada é e sempre será uma das maiores dificuldades que poderemos encontrar em nossas vidas, mas vale a pena.

Não esmoreça, siga e persista em si porque a liberdade de ser você mesmo vale todas as lágrimas, sacrifícios, o esforço que só você sabe o que custou e a solidão necessárias.

Cria o teu casco, o teu escudo, veste tua armadura de guerreiro e planta com amor e gentileza a tua semente de vitória e regozijo nessa estadia. Deixa que o mundo seja todo contestável, mas que aquilo o que é importante de verdade para você, não.

E se de repente, no meio do caminho, você perceber que o que te chama faz morada noutra direção, que você não tenha medo de rumar para o lado oposto, mesmo que o preço seja deixar para trás aquilo o que outrora você acreditava que era caminho mas bem de perto viu que não.

Como diria o sr. Adilson Costa do canal Quebrando Paradigmas no youtube – Seja implacável!

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Moxferia

Sol em Áries, Lua e Ascendente em Virgem, Lilith em Libra e Vênus em Peixes – tenho 37 anos, sou formada em Design Gráfico e mãe de nove gatos super amorosos.

Sou forjada nas emoções, tenho uma queda sinistra pelo universo da mente humana e por isso considero-me uma filosofeira de plantão, metida a escritora e com aquele olhar mais espiritualizado para os detalhes ocultos e obscuros.

Amo escrever e sou apaixonada por livros, poesia, arte, cinema, espiritualidade, coisas artesanais, antigas e exóticas. 

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