Estradas da Vida
Sempre chega aquele momento, umas várias vezes na vida, em que a gente se vê perdido no meio de montes de reflexões, ponderações e pensamentos completamente confusos ao buscar um entendimento mais consciente sobre as coisas ao nosso redor e isso termina por nos levar a um montante de visões que só fazem ‘ser sentido’ para nós.
Mas, no meio disso tudo, quando é que identificamos a nossa própria voz se tudo o que vemos conversa conosco intimamente?
Diante de um sentimento de perdição, se como sou e o que sei e o que vivi e o que penso não me levam a conclusão alguma sobre como estar, o que pensar e por onde agir, como é que posso entender o que é que o meu espírito tanto clama em certos momentos e não só se justifica?
Assim, e novamente, encontrei-me num turbilhão que insiste em nunca ter fim e desse modo foi aonde Sartre reinou dilacerante no desencantamento desproposital da magia de viver quando me suspirou aos ouvidos a frase que me encontrou há mais ou menos uns dois dias atrás e que agora lateja incessante em minha mente:
“Viver é isto: ficar se equilibrando todo o tempo entre escolhas e consequências.”
(Sartre)
Ausência
Desforjei-me das carapaças das superficialidades mundanas, uma vez mais, para compreender, naturalmente, que mesmo quando não me escuto é que posso finalmente me escutar.
No entanto, por fim, Byron veio a me nocautear os entendimentos, meio sem intenção, quando em convergência a ele, e talvez num viés levemente distinto, eu compreendi um algo ainda maior.
“A grande arte da vida é a sensação, sentir que existimos, mesmo na dor.”
(Byron)
Bem, a maioria entenderia como tédio e apatia mas minha mente puxou a compreensão para um outro lugar e foi assim que me veio o relance de que mesmo na ‘ausência da dor’ é que vemos o seu tamanho e que a verdadeira ausência de dor é só ausência, simplesmente.
Não se percebe, porque é ausência. Enxergamos mesmo a ausência ou seria apenas o tamanho da dor?
Se é percebida é porque conversa emoção e não ausência, mas quando a dor é realmente ausente ela simplesmente se ausenta e não se justifica.
Por isso, pensei num repente que não é preciso realmente dar tanta importância para as consequências do escolher, um aprendizado oriundo de uma consciente maturidade advinda da dor emocional extrema de circunstâncias vividas, pois qualquer escolha e qualquer consequência sempre será forma de dor e isso não tem por onde e que bom, porque mesmo quando não sentimos nada ainda sentimos muito.
Nada é realmente ausente na vida e se assim parece ser, então provavelmente é escolha.
Só se sofre para poder existir
É dessa forma que a própria dor, mesmo em meio ao medo obtuso de trair a identidade enaltecida pela voz do espírito, nunca se destilará ao mundo em vão, pois tudo converge em si.
Logo, equilibrar-se entre escolhas e consequências não é definido pela assinatura de um contrato invisível que arromba nossa identidade porque fere a visão do espírito, mas sim viver em perfeita harmonia na completude oferecida pela dor – porque é a partir dela que temos a oportunidade de evoluir ao percebermos que existimos.
Assim, tenho para mim, que o meu caminho é mesmo na luz e é na escuridão sem fim.
…
Porque eu sou de todas as estradas e todas as estradas estão em mim.
E é só assim que se tem culhão para viver sempre sendo de si.
Porque quem não tem coragem de sofrer, nunca caminhou para existir.
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