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A Tragédia do Ser Humano


Em meio a tantas tragédias é bastante impressionante como nem nos piores momentos da existência humana vemos as pessoas percebendo a gravidade de seus pensamentos, falas e ações diante dos acontecimentos destrutivos. Notavelmente, é claro que é muitíssimo difícil promover qualquer mudança que seja sem que aquilo o que precisa de real mudança seja antes percebido sob nossos olhos, mas até aqui nenhuma novidade.

No entanto, se quem está mais preocupado com os prejuízos materiais e financeiros olhar direito para o cenário atual de devastação no mundo vai entender que a natureza, o planeta, o universo, Deus ou a espiritualidade que se acredita está fazendo um chamado bastante apelativo de intenso para que haja uma profunda reflexão humana sobre si mesmos nesse momento.

As transformações começam a partir do que nos reside, a partir de nossa sensibilidade como seres humanos que vivem (ou deveriam viver) sob um amplo espectro de humanidade, mas usa-se o poder como criação divina a nós concedido para se viver de forma egoísta, maldosa, cruel e sem consciência na maioria das vezes.

E veja bem, com criação divina não quero dizer específicamente o âmbito da fé, porque isso é particular e vai da perspectiva de verdade sentida no coração e espírito de cada um, mas me refiro a algo um pouco mais amplo – o de como é incrível existirmos e sermos tudo o que somos em toda a nossa complexidade como seres vivos, biológica e cognitivamente.

Ora, nada do cenário planetário atual é suficiente para se perceber a tragédia do ser humano?

É assim que desejo começar esse texto, com uma crítica reflexiva que parte de um sentimento de absurdidade com o que chega agora a nós sob diversas formas de comunicação.

 

O coletivo paga pelo coletivo

Bem, não estou escrevendo isso para elevar debates idiotas de forma alguma, já que o meu texto chega em quem precisa chegar, em quem carrega dentro de si a mesma luz que se sintoniza no enxergar um algo sempre além – é com essas pessoas que partilho meus pensamentos.

Portanto, não é absurdo como em meio a tanta destruição causada pelas forças da natureza, tantas vidas perdidas, tanto sofrimento ao redor do mundo, tanta dor em massa, ainda vemos países sustentando guerras sem cabimento quando o mundo parece desabar sob nossas cabeças?

É inegável que tudo o que acontece também se trata do resultado das ações humanas e em meio a tanta tristeza é bastante difícil engolir o choro diante do que se vê, não porque existe medo generalizado mas porque é sabido que a única opção agora é se resignar com o fato de que em suma não importa se somos pessoas boas ou ruins – no fim, o coletivo paga pelo coletivo.

Porque não vivemos realmente isolados, fazemos parte de uma imensa roda viva e por isso mesmo vivemos no coletivo mesmo quando estamos vivendo sozinhos.

Culpar tudo e todos não traz de volta o sentimento de segurança, as pessoas amadas, as conquistas alcançadas com tanto suor ou mesmo as construídas com muito amor no coração.

Não importa muito tudo o que está em jogo, porque todos nós nesse âmbito, globalmente, pagamos pelas ações uns dos outros. 

 

Cobiça sinistra e auto-idolatria

Nações? O que é isso, afinal?

Eis uma das grandes ilusões da humanidade, pois penso que talvez elas realmente não existam no planeta em que vivemos – o mundo todo é um só, assim como o Universo onde existimos.

Mesmo assim ainda vemos países brigando por migalhas quando poderiam estar “brigando” por humanidades e sim, migalhas, porque é viver para muito pouco no âmbito da existência.

Uma cobiça sinistra pelos recursos alheios quando deveriam se contentar com o que dispõem em seus próprios territórios; diante da necessidade de suas necessidades serem atendidas que seu país não sustenta por forças maiores, a diplomacia deveria ser mais como humildade e fraternidade do que sobre poderio militar e auto-idolatria.

Dá arrepios pensar que cada um faz o papel que precisa fazer para proporcionar evolução para si e para os outros, mesmo que não percebam os seus impactos – já que tudo nos constrói, nos transforma, nos movimenta e sendo assim nada passa em vão.

Gosto de pensar por esse olhar porque me reconforta sobre o ser humano e o mundo, e sempre se prova fazendo cada vez mais sentido – o de que cada um de nós cumpre um papel no todo, quer esse papel seja bom ou ruim. Isso não se trata de apologia à merda alheia, porque eu não apoio a merda de ninguém, no entanto, hoje em dia, seleciono mais pelo o quê vale a pena abrir a boca.

É absurdo o que vemos, sim.

Dói fundo na alma e as vezes até me faz sentir um pouco suja compreender as coisas sempre através de tantos ângulos na maior parte das vezes, se eu fosse olhar na perspectiva da estranha e eternamente incompreendida que sou. Mas não, para mim é uma puta dádiva e eu não poderia ser mais afortunada nessa vida. Num mundo tão de extremos, é complexo por vezes viver vendo espelhos em todos os lugares, os efeitos dominó, as facas de dois gumes e infinitos quebra-cabeças.

Mas a liberdade é uma grande recompensa para se viver um pouco mais inteiro a cada dia.

 

Impactos ignorados

Na realidade é que não dá mesmo para ignorar que o papel de bala jogado no chão pelos outros não é inofensivo nos bueiros da rua. Só que o ser humano é ignorante e nas periferias isso costuma ficar mais nítido, porque ninguém liga muito para nada. Ninguém liga na hora da agir como quer, mas sempre terminam impactando uns aos outros.

Não é absurdo que as coisas sejam assim?

Não é absurdo que países não se contentem com os territórios que já possuem? Não é absurdo que os ricos não se contentem com o dinheiro que ganham? Não é absurdo que as pessoas não saibam partilhar o pão quando têm para partilhar? Não é absurdo jogar comida fora porque se fez demais? Não é absurdo os supermercados descartarem um monte de alimentos diariamente ao invés de doarem antes de apodrecerem? Não é absurdo que pessoas que se dizem tão religiosas sejam tão intolerantes e preconceituosas, más e mesquinhas? Não é absurdo que cidades tão pequenas não coloquem caminhões de coleta seletiva em TODOS os bairros da cidade e disponibilizem apenas poucos pontos em locais específicos que obrigam as pessoas a fazerem mais questão do que o próprio governo, que também existe para colocar ordem na desordem?

Nesses lugares, o governo se comporta como se nem fizesse lixo e a responsabilidade por viver de forma mais sustentável no mundo recai em quem precisa lutar para ser ouvido frente a tanta hierarquia. Temos poder para dar a alguém realmente? Se temos, não é absurdo como tudo é?

Não é absurdo que para proteger os animais precisamos aprisioná-los como nós mesmos nunca admitiríamos ser presos nessa vida? Não é absurdo que as pessoas comprem animais ao invés de adotá-los das ruas? Não é absurdo que ninguém nunca possa nada? Não é absurdo que as pessoas tenham cachorros pomposos usados como objetos de exibicionismo quando em dias quentes as patas de seus amigos fiéis estejam em carne viva? Não é absurdo que o mundo esteja sendo devastado por tragédias naturais e as pessoas estejam mais preocupadas com os danos em seus carros e com guerras por poder, recursos e territórios? Não é absurdo que a dignidade humana seja praticamente uma forma de falácia que parte de quem senta no trono do país? Não é absurdo que as polêmicas sejam sobre a vida dos outros?

Quem dera as polêmicas fossem sobre o quão pouco nós fazemos pelos outros e pelo mundo.

E é tudo sobre isso ao fim, não é?

 

Mediocridade Humana

O ser humano acha que o mundo é dele, no entanto, só se tem mera permissão para viver aqui. Um segundo é mais do que o suficiente para que estejamos desolados ao chão pela perplexidade de nossa própria impotência e efemeridade, e mesmo com tanta coisa acontecendo ainda só se enxerga o dinheiro e as superficialidades.

É só ver as coletâneas impressionadas das pessoas em relação à tempestade de granizo dos últimos dias, quando tudo o que ouvimos foi como os seus carros foram destruídos pelas pedras de gelo. Quem dera tivéssemos ouvido mais coisas como “Meu Deus, tenha misericórdia de nós pelo o que não entendemos antes e que nós tenhamos a oportunidade de corrigir o que precisa ser corrigido em nossas ações, pois agora enxergamos” ou “Espero que ninguém tenha se machucado” ou “São apenas coisas materiais que nos servem na estadia, não são mais importantes do que a preciosidade de nossas vidas”.

Pois é, assusta-me o ser humano e não as forças da natureza.

Contudo, não estou dizendo que o dinheiro não importa, que não podemos desejar melhorar de vida ou ter mais conforto, nem nada do tipo. Mas é muito sério quando tudo se torna sobre isso e muito pouco sobre espírito ou humanidade. Porque não nascemos para usar a nossa capacidade de raciocínio e toda a complexidade de sermos distintos do resto dos animais para coisas que não somam e que não transformam para melhor o todo.

As coisas materiais não são tudo o que temos e pelo o quê vivemos para sermos tão apegados assim e tornarmos isso a significância de nosso valor perante o mundo.

Penso que ninguém jamais realmente precisou se provar valoroso ao mundo, muito menos dessa forma, pois as pessoas tem o seu valor e agem conforme aquilo o que reside dentro de si, portanto, nunca houve necessidade de provar coisa alguma desde o princípio.

O que é, é como é e age como se é. 

As coisas materiais existem para nos servir enquanto estamos vivendo essa vida, nada disso irá conosco e por isso mesmo não faz sentido que façamos disso o bem mais precioso.

 

A culpa não é do dinheiro, é de quem é podre por dentro

A relação com o dinheiro começa a mudar quando paramos de olhar para ele como se fosse a solução de nossas vidas, mesmo quando parece ser o maior problema. Todo mundo precisa de dinheiro para pagar as contas, colocar comida na mesa e bancar seus caprichos, ninguém disse o contrário, mas sinceramente, vê-lo apenas como os ossos do ofício de uma sociedade construída pelo ser humano traz leveza e acho que é como se fosse só um boleto para pagar.

Ou seja, é um compromisso com a sobrevivência no mundo como ele é e o valor do dinheiro é a serventia para a estadia, não o significado dela. É óbvio que ninguém acha que trabalha para pagar apenas boletos, porque as pessoas reconhecem que existe algo mais oriundo de seu esforço para conseguir o dinheiro todos os meses.

Ora pois, então me diga por que é tão difícil entender o mesmo na relação dinheiro x existência?

Também existe algo mais em nossas existências além de dinheiro para conquistar, além de comodidades e além de vaidades. O ser humano costuma viver pelo quê?

O dinheiro existe para as coisas que precisam ser feitas, porque é uma moeda de troca criada pelo ser humano para facilitar os processos entre as pessoas, entre comunidades etc, em relação às coisas que suprem necessidades – quem oferece o quê e quem precisa do quê.

Não é estranho ver que algumas pessoas tenham largado empregos para viver uma vida totalmente desapegada e desprovida de facilidades – essa é a verdadeira realidade que se finge não existir. Gente que deixa tudo para trás para viver a vida como ela é, não essa bolha escrota que nos faz desejar mais e mais, competir mais e mais, emburrecer mais e mais, ficar mais e mais ociosos.

É o caso de um cara que tinha uma vida maravilhosa, carro, casa boa, trabalhava num banco e deixou tudo para trás para ser andarilho no mundo. Ele não tinha dinheiro, não trabalhava 8hs – 12hs por dia para pagar sua sobrevivência, mas ele tinha mãos e pés e sabia fazer coisas e por isso de vez em quando oferecia o que sabia fazer, humildemente, em troca de poder usar sua panelinha no fogão alheio para cozinhar algo, alguns poucos minutinhos para lavar seu corpo, a possibilidade de lavar uma ou duas peças de roupa, um pouco de água e um prato de comida. 

Não estou dizendo que apoio essa vida, porque ela é bem dura e acho que a pessoa precisa saber bem o que deseja para si e ter consciência sobre isso, mas também não julgo porque em essência é o que aprecio mas jamais teria coragem de espontaneamente fazê-lo em vida.

Mas enfim, voltando ao ponto mais acima, o ser humano com suas habilidades moldou tudo, ou quase tudo, ao seu favor para que se adequasse às suas necessidades e isso não é um problema de forma alguma. O problema é para o quê nos direcionamos esse tempo todo e como substituímos a moeda de troca por uma procissão de vaidades, poder, crueldade, superficialidades e sujeiras.

Pelo amor de deus, tem gente em mina de ouro desesperada para capturá-lo e por fim levando o morro a desabar, soterrando quem tentava pegá-lo e sabe-se Deus lá o que mais pode ter acontecido depois disso a quem não tinha nada a ver com a situação. É quase como dia de liquidação nas Casas Bahia ou leilões de produtos avariados que saem mais caro do que o novo.

Sério, vale a pena viver desse jeito mesmo?

Esse tipo de coisa não é suficiente para mostrar como o ser humano troca sua vida por tão pouco?

Sei lá, cada um tem o que a sua vida e as suas escolhas lhe dispõem, mudar isso sempre cabe a nós mesmos, mas independente dos sucessos ou fracassos, ainda assim é saudável aprender a arte de viver com sabedoria, com compaixão e de forma mais honesta consigo mesmos.

Não é tão difícil assim perceber, só precisa de um pouco de disposição.

 

Faça-se a si mesmo

Por fim, a noção daquilo o que é uma necessidade se transformou em algo mais como um capricho e a maioria das pessoas não sabe nem mesmo o que é prioridade para si, quando falamos no âmbito da existência. Não ter carro, celular ou internet nos dias de hoje parece mais uma sentença de morte, porque as pessoas não querem mais andar para buscar aquilo o que precisam e não querem ouvir o som do próprio silêncio. Não querem se esforçar mais para nada, não querem aprender a fazer as coisas com as próprias mãos.

Se a nossa vida está nas redes da tecnologia, para o quê vivemos então?

Não dá mesmo para mudar o hábito do carro para a bicicleta, a ponderar de forma razoável e sensata as distâncias? Vai se exercitar, apreciar a paisagem, sentir o cheiro da rua e não do ar condicionado ou do sachê perfumado do automóvel – quem dera fosse sempre perfumado, né?

Sabia que as coisas a pé parecem totalmente diferentes das coisas vistas pela janela do carro? É surreal como parece que estamos andando num lugar totalmente novo e em como conseguimos nos perder ainda assim, mesmo que façamos aquele trajeto todo santo dia.

Sejamos mais artesanais e menos dependentes de tudo e todos.

Vamos aprender jardinagem para aumentar a natureza que melhora nossa respiração, promove nossa paz e cura interior e oferece paisagens mais belas aos nossos olhos. Cultivem seus alimentos, façam suas próprias roupas, reutilizem mais materiais, leiam e escrevam mais.

Parem de economizar demais o tempo de vocês durante as comunicações, se disponham a conversar mais profundamente e atentamente com as pessoas ao seu redor e aprendam a conectar-se humanamente pela essência delas ao invés de se atrair apenas por seus invólucros.

Parem de dizer que não têm tempo para nada em suas vidas e percebam quanto tempo gastam com inutilidades quando não estão fazendo as coisas de suas necessidades e por fim, que importa se não está perfeito, não deveria ser útil?

Que importa se estou sem tempo, isso não importa para mim?

Que importa se não sou como todos, não sou inteiro para mim?

Que importa se me julgam, não me sinto confortável desse modo em minha própria pele?

 

A tragédia da humanidade é o amor

E pensar que esse texto começou há dois dias atrás quando comecei a refletir sobre o que seria realmente o amor. Trilhei os caminhos do afeto, do respeito, da consideração, da empatia, da fraternidade, do perdão e terminei na compaixão.

Há tantos anos o ser humano tenta entender o que é o amor e em meio a tantos conceitos continua-se falhando miseravelmente em senti-lo e promovê-lo.

Ah, o amor!

O amor é a obra divina máxima de Deus, ele tudo nos dá e tudo nos tira; por isso mesmo é ele a maior tragédia da humanidade…

Porque morremos por amor e também pela falta dele.

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Moxferia

Sol em Áries, Lua e Ascendente em Virgem, Lilith em Libra e Vênus em Peixes – tenho 37 anos, sou formada em Design Gráfico e mãe de nove gatos super amorosos.

Sou forjada nas emoções, tenho uma queda sinistra pelo universo da mente humana e por isso considero-me uma filosofeira de plantão, metida a escritora e com aquele olhar mais espiritualizado para os detalhes ocultos e obscuros.

Amo escrever e sou apaixonada por livros, poesia, arte, cinema, espiritualidade, coisas artesanais, antigas e exóticas. 

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