Está no ar, nos sons e em todas as coisas.
Esse algo que não sei bem explicar o que é, mas toca a pele e a alma como um imenso voltar para casa. Um pouco nostálgico, até mesmo melancólico, mas cheio da vibração dos bons presságios – como um algo muito próximo de chegar e que vem trazendo consigo uma paz quieta muito antes mesmo de algo mais acontecer.
Sensação recorrente do último ano para cá e que faz sentir como uma prece que embala o começo de um longo descansar. Mas, como todas as outras vezes, eu me forço a não romantizar.
Deixo surgir o benefício da dúvida ao meu redor, mas nunca totalmente a deixo me levar – quem sabe seja o Outono se aproximando antes do tempo ou apenas um estar presente demais no momento.
De todo modo, eu só quero mesmo é sentir e deixar essa emoção me levar para onde ela quer que eu agora me vá e num repente, tudo parece uma coisa só e isso se repete tantas vezes em mim que não tem nem mais como sequer conseguir elucidar.
Tão bela e suave é a compreensão, a compaixão e o profundo respeito por todas as coisas e seres que habitam esse ‘Selvagem Jardim’, como diria Lord A.
Sim, pois sim, assim mesmo, do jeito que tudo é.
O humano e o não-humano, o feral e o manso.
A busca pela felicidade do jeito que se busca é meramente ilusão.
Ilusão, porque a verdade se mostra debaixo de nossos narizes e porque o ser humano escolhe, dia após dia, não enxergar isso de jeito nenhum.
Não há nada realmente premeditado, só há o disponível e o possível.
O destino existe, mas não é premeditado.
Parece mesmo meio contraditório, e realmente é.
Mas se trata apenas do semear intenções e de tudo aquilo o que precisa se manifestar, quer agora ou depois, nessa vida ou em outras, pois sempre há algo que deseja nascer e renascer, e isso se compõe num infinito ciclo que se chama ‘vida’.
A dança do equilíbrio, os desejos se encontrando e reencontrando uma vez mais.
A felicidade, portanto, é composta por tudo aquilo o que conseguimos manifestar; é composta por momentos de alegria, de prazer e de apreciação. Essa felicidade é casada com o tempo espaço; um relógico atemporal – e era para ser ‘relógio’, porém ‘relógico’ vibrou com um absurdo sentido que eu me choquei tanto que vou até manter, mesmo sendo um neologismo totalmente sem querer, ele é altamente funcional e com um sentido colossal para esse exato estágio desse escrito.
Mas enfim.
Existe uma profunda sabedoria por trás de todas as coisas do mundo…como se sempre tudo o que respira, ou existe, soubesse mais e melhor do que nós.
E essa percepção consegue ser bastante desconcertante em certos pontos.
Me fascina e me preenche de uma humildade, plenitude, satisfação e curiosidade imensas.
Essa compreensão de que nunca chegarei ao fim é perturbadoramente extasiante, assim como a nossa bela língua portuguesa, e certamente eu nunca terei estantes o suficiente para comportar todos os livros que eu ainda desejaria ter. Mas eis que aqui está a felicidade pura e desnuda de quem vos fala:
Escrever, refletir e muitos e muitos livros e mais litros de café e dias nublados.



