Oscar Wilde foi uma das maiores figuras literárias do mundo, tendo sua escrita um enorme peso ainda durante a Era Vitoriana. Dotado de uma excentricidade incompreendida e bastante marcante para a sua época, esse escritor cheio de genialidade e originalidade permanece ainda muito presente nos dias atuais, através de suas obras que já ganharam até versões para cinema ao longo dos anos.
É justamente sobre esses e outros aspectos que iremos falar no artigo que segue logo abaixo.
Breve História de Oscar Wilde
Oscar Wilde foi um poeta, escritor e dramaturgo nascido na Irlanda em 1854 que mudou-se para Londres a fim de seguir carreira literária. Com isso, o autor veio a se tornar uma das figuras mais famosas de sua época, tendo feito parte do movimento literário Esteticista – que enaltecia a beleza na arte, bem como movimentos literários Simbolistas e Decadentistas, cujas definições abordarei em outros artigos.
Wilde recebeu muitas influências de sua mãe que também era escritora e cujo nome adotado para tais fins teria sido Speranza Francesca Wilde. Segundo fontes, Speranza tinha uma personalidade muito forte e escrevia poemas de caráter nacionalista para os jornais da Irlanda.
Desde muito cedo, Wilde foi notado por sua vaidade singular nas vestimentas, aspecto esse que justificaria mais adiante toda uma postura que traria a tona o seu Dandismo.
Ainda, segundo fontes, Wilde era curioso com relação ao Catolicismo Romano que se expandia enquanto estava em Oxford, mas terminou afirmando que se considerava agnóstico e a suposição é de que seu encantamento por isso era na verdade em razão de toda a pompa e não de uma certa fé.
Deixo abaixo uma passagem interessante da pesquisa, pois vai ajudar a entender melhor essa questão.
“Wilde lutava com o estado de sua alma e desejava desesperadamente crer, mas constantemente se deparava com a impossibilidade de fazê-lo. Suas próprias crenças, e particularmente sua fé no mundo material, simplesmente não podiam coexistir com a fé cristã.”Udel/ Britlitwiki
“Quando penso em religião, sinto como se quisesse fundar uma ordem para aqueles que não podem crer… Tudo que for verdadeiro deve se tornar uma religião. E o agnosticismo deveria ter seu ritual, tanto quanto a fé” – Oscar Wilde.
Casou-se com Constance Lloyd em 1884, uma escritora irlandesa com quem teve dois filhos – Cyril e Vyvyan. Porém, depois de certo tempo Wilde se envolveu em um caso com Lord Alfred Douglas e essa situação acabou com a sua reputação na sociedade, já que enfrentou processos na época em razão de sua homossexualidade, tendo sido preso por isso em 1895 – acusado de indecência.

Oscar Wilde e Alfred Douglas / Fonte: Wikimedia Commons
A repercussão foi enorme, o que também acarretou na separação com Constance e apesar de ela não ter formalizado a separação, exigiu que ele abrisse mão de seus direitos parentais para que ela pudesse afastar os dois filhos de toda aquela história e não viessem a sofrer com as consequências da má reputação de Oscar – um escândalo social para a época.
Infelizmente, após esta situação Oscar e os filhos nunca mais chegaram a se ver em vida novamente, o que realmente é uma situação bastante infeliz e demonstra claramente muito sobre os padrões morais da Sociedade Vitoriana, a qual também falarei melhor sobre em outra oportunidade aqui no blog.
Mesmo assim, acredito que ainda que nada disso tivesse acontecido, provavelmente a situação teria sido a mesma ou pelo menos muito da parecida, já que singularidade e excentricidade me parece sempre ter sido uma questão frágil e repleta de julgamentos sociais, o que infelizmente ainda é uma realidade latente nos dias atuais – especialmente pela diversidade e até em razão do acesso à informação.
Bom, após conseguir sua liberdade em 1897, ele adotou o pseudônimo de Sebastian Melmoth e também escreveu um poema a respeito do tempo em que passou na prisão, sendo essa fase descrita em seu poema “A Balada do Cárcere de Reading” e publicado em 1898.
Há fontes que afirmam que este poema foi publicado sob o pseudônimo C.3.3 – o número de sua cela.

Oscar Wilde com seu filho Cyril e Constance
Em 1898, três anos após a prisão de Wilde, Constance acabou falecendo por complicações relacionadas a uma cirurgia, enquanto Oscar Wilde veio a falecer no ano de 1900 em Paris, acometido por uma Meningite aguda após ter feito uma cirurgia no ouvido.
Não sei até que ponto essa informação é verdadeira, então fica aí uma nota mental.
Contudo, a situação de sua morte fez com que o seu melhor amigo, Robert Ross, que disseram haver uma relação, ficou responsável pela publicação de suas obras póstumas.
Uma curiosidade sobre isso é que ambos estão enterrados juntos em um dos maiores cemitérios de Paris, a pedido de Ross na época – este veio a falecer 18 anos depois de Wilde.
O Futuro da Progênie de Oscar Wilde
Vyvyan Holland, o filho mais novo de Wilde, havia se casado com Violet Mary Craigie em 1914, porém ela veio a falecer 4 anos após o seu casamento, em razão de ferimentos causados por um acidente com o seu vestido que acabou pegando fogo enquanto ela estava perto de uma lareira.
Como se não bastassem as perdas prematuras, quinze anos após a morte de Wilde e aproximadamente um ano após o casamento de Vyvyan, Cyril Holland acabou perecendo durante a Batalha de Festubert, enquanto servia como capitão durante a Primeira Guerra Mundial (1915) – um mês antes de completar seus 30 anos de idade – realmente uma infelicidade.
Vyvyan viveu até 1967 e faleceu aos 80 anos de idade. Ele teria se tornado escritor/tradutor e se casado novamente em 1943 com Dorothy Thelma Helen Besant, com quem teve apenas um filho, Merlin Holland – o único neto de Oscar Wilde e que tornou-se biógrafo/editor, se dedicando ao longo da vida a escrever sobre a vida e obra do avô. Casou-se posteriormente, tendo um filho chamado Lucian Holland.

Merlin Holland, único filho de Vyvyan Holland / Fonte: Wikimedia Commons
Wilde é considerado um dos mais populares dramaturgos de Londres, o “mestre” dos Epigramas e de personalidade extravagante e sagacidade mordaz, escreveu apenas um romance, que é uma de suas obras mais famosas, chamado O Retrato de Dorian Gray (1891), que ganhou até filme nos cinemas.
O Fim em cada Abraço
Em relação aos seus afetos e questões familiares dá mais ou menos para dizer que foi uma história com um triste fim para todos os envolvidos. Percebi uma certo padrão, sem que realmente fosse necessariamente, mas me chamou muito a atenção e causou um certo impacto, me deixando pensativa por muito tempo sobre como a vida pode parecer cruel e injusta muitas vezes.
Considerando a radicalidade do pensamento social em relação às aparências e uma infinidade de “podes e não podes” típicos da Era Vitoriana, é notável que alguém com uma personalidade tão excêntrica tenha permanecido fiel a si mesmo até o fim de seus dias, quando a sua reputação e também já a sua vida estavam nos últimas de seu declínio – ele mantinha um excelente humor.
De fato, inspirador!
Oscar Wilde teve uma morte muito prematura e uma valorização bastante tardia, algo que é bastante comum no universo artístico e principalmente literário. Mas ainda assim, é curioso como grandes personalidades parecem não terem sido feitas para viverem de eternidades e ainda assim acabarem por se tornar surrealmente eternas. Parece que é a vida honrando integralmente seus nomes depois de tudo.

Oscar Wilde / Fonte: Wikimedia Commons
Uma história tão densa, complicada e cheia de traumas sociais, busco pensar que foi o que tinha de ser e o que poderia ter sido naquele momento. Acho que as coisas na vida acontecem de um jeito que nós não temos a completa compreensão momentânea e por vezes nos revoltamos e achamos até injusto.
Porém, é certo que o nosso tempo não é o tempo do Universo, exatamente, e o que viemos aqui fazer nem sempre temos total compreensão – se é que você acredita nisso.
Naquela época, talvez, Oscar Wilde nunca viesse a ter a valorização que lhe era merecida e sabe-se lá o que de mais teria acontecido. Dadas as circunstâncias, talvez tivesse se tornado um talento perdido nas páginas da vida, considerando que após usar o pseudônimo Sebastian Melmoth já quase não escrevia muito, segundo fontes. Talvez a vida que levaria dali por diante pudesse lhe arrancar a genialidade.
Quem sabe certas interrupções sejam necessárias para que os frutos lhe façam honras no tempo de ser.
Mas quantas perdas, quanto sofrimento implodido, quanta ausência estabelecida sem um querer e quando observo a cronologia, fico espantada com a forma como tudo me parece praticamente se tratar de um extermínio afetivo familiar, quase um padrão mesmo.
Eu nem acrescentei porque não vem bem ao caso dessa resenha, mas com um pouco de pesquisa você vai ver que essas perdas já acontecem desde muito cedo e bem antes de Constance.
É como se suas almas não pudessem, inconscientemente, suportar tamanha separação, como se estivessem de algum modo linkados uns aos outros.
Destino, talvez? Quem saberá.
Uma sina de infelicidades e que só os mais verdadeiros e astutos conseguem fluir com excelência.
Personalidade Excêntrica e Incompreendida
Oscar Wilde não parecia se importar, exatamente, com as opiniões alheias sobre os seus afetos ou desafetos, ele simplesmente não conseguia ser o que não era suposto ele ser.
Pareceu-me uma alma extremamente verdadeira com os próprios sentimentos e prazeres, refletindo uma naturalidade elegante como consequência e isso se confirma com algumas pesquisas que realizei no google.
Mas veja bem, isso numa época em que tudo é um infâmia é algo realmente admirável em um nível gigantesco. Enquanto a sociedade lhe detonava a singularidade, ele permanecia fiel a própria essência, favorecendo que fosse espírito livre até o fim de seus dias – mesmo que a sua liberdade tenha sido exposta a uma nuance considerável de formas de prisões e seu destino tenha sido meio irônico.
Para mim, no fundo de sua fala transborda certa doçura e ainda que fosse trazida a tona numa acidez despejada quase com indiferença aos hipócritas da época, além de sua eloquência, provavelmente o que mais incomodava as pessoas sempre fora sua impetuosidade e liberdade de ser, a despeito de tudo e todos.
Era um espírito livre e de leveza inspiradora, com um comprometimento muito profundo consigo mesmo e com as próprias emoções.
Isso é, sem sombra de dúvidas, belamente irremediável.

Wilde demonstrava gostar muito de uma certa extravagância e pompa em todas as coisas, sendo este sempre um ponto que lhe atraía o interesse. Todo esse conjunto de características também tem muito a ver com o Esteticismo que ele defendia através de uma valorização da beleza na arte – mas uma arte vista de todos os ângulos e não somente na arte puramente.
O Esteticismo ia mais além do que somente “poesia”, ele era uma forma de manifesto contra o autoritarismo e a repressão social causadas pelo reinado da Rainha Vitória na conhecida Era Vitoriana.
Por fim, concordo com Wilson Honório da Silva quando se refere ao legado de Oscar Wilde como algo além de sua obra.
Realmente, ele foi uma potência transformadora nas entrelinhas da vida e através dele enxergamos os traços da mesma decadência ainda nos dias atuais – até mesmo pior.
Honestamente, me identifiquei tanto com ele que sinto que tudo o que eu conseguir falar ainda não parece ser o suficiente para honrar a sua genialidade. Penso sinceramente que dentro de todo mundo existe um Wilde lutando para emergir, mas a maioria nunca terá a mesma coragem.
Certamente, era alguém a frente de sua época e felizmente a história veio a lhe fazer jus ao fim de todo esse compilado de dramas e infortúnios.
Algumas Frases de Oscar Wilde
- “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”.
- “A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre.”
- “Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo.”
- “Neste mundo, há apenas duas tragédias: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, e a outra a de os satisfazermos.”
- “Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos.”
- “Seja você mesmo. Todas as outras personalidades já têm dono.”
- “Nenhum homem é suficientemente rico para comprar seu passado.”
- “A única diferença que existe entre um capricho e uma paixão eterna é que o capricho dura um pouco mais.”
- “Adoro os prazeres simples. Eles são o último refúgio dos homens complicados.”
- “Tenho gostos extremamente simples: só o melhor me satisfaz.”
- “O sofrimento é o meio pelo qual existimos, porque é o único responsável por termos consciência de existir.”
- “Convém ser moderado em tudo, até na moderação.”
OBRAS DE OSCAR WILDE
- Ravenna (1878)
- Vera (1880)
- Poemas (1881)
- A Duquesa de Pádua (1883)
- O Príncipe Feliz e Outras Histórias (1888)
- O Retrato do Sr. W.H (1889)
- O Crime de Lord Arthur Savile e Outras Histórias (1891)
- A Casa das Romãs (1891)
- Intenções (1891)
- O Retrato de Dorian Gray (1891)
- A Alma do Homem Sob o Socialismo (1891)
- O Leque de Lady Windermere (1892)
- Salomé (1893)
- Uma Mulher Sem Importância (1893)
- A Esfinge (1894)
- Um Marido Ideal (1895)
- A Importância de Ser Honesto | A Importância de ser Prudente (1895)
- De Profundis (1897)
- A Balada do Enforcado | A Balada do Cárcere de Reading (1898)
CINEMA BASEADO EM SUAS OBRAS:
- O Retrato de Dorian Gray (1945)
- Oscar Wilde (1960)
- Os Julgamentos de Oscar Wilde (1960)
- A Importância de Ser Prudente (1952)
- Wilde (1997)
- Um Marido Ideal (1999)
- Dorian Gray (2009)
- O Príncipe Feliz (2018)
Fontes
WIKIPEDIA. Wikipedia. Oscar Wilde. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Wilde
SOUZA, Warley. Oscar Wilde. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/oscar-wilde.htm
BBC. Oscar Wilde (1854-1900). Disponível em: https://www.bbc.co.uk/history/historic_figures/wilde_oscar.shtml
BECKSON, Karl. Oscar Wilde. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Oscar-Wilde
FERNANDES, Márcia. Oscar Wilde. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/oscar-wilde/
FERNANDES, Márcia. Era Vitoriana. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/era-vitoriana/
POETS. Poets. Oscar Wilde. Disponível em: https://poets.org/poet/oscar-wilde
BRITLITWIKI. Udel Edu. Oscar Wilde. Disponível em: https://sites.udel.edu/britlitwiki/oscar-wilde/
SILVA, Wilson Honório da. PSTU. Oscar Wilde: vida, arte e morte que ecoaram o “amor que não se diz o nome”. Disponível em: https://www.pstu.org.br/oscar-wilde-vida-arte-e-morte-que-ecoaram-o-amor-que-nao-se-diz-o-nome/
EDUBLIN. Edublin Press. Oscar Wilde: biografia, literatura e frases do mais icônico escritor irlandês. Disponível em: https://www.edublin.com.br/oscar-wilde/
LEITE, Carlos William. Revista Bula. 99 frases clássicas de Oscar Wilde. Disponível em: https://www.revistabula.com/3841-99-aforismos-classicos-de-oscar-wilde/



