O texto escrito abaixo sob o nome “Um Pesadelo Real Demais”, trata-se de um sonho ruim que tive certa vez e tomei nota para reproduzir a descrição dele em formato de historieta.
Os detalhamentos trágicos e a sua riqueza horrorosa de detalhes foram omitidos de maneira proposital para que os fins justificassem os meios.
Com isso dito, tenha uma excelente leitura!
MENSAGEM OU APENAS FRUTO DE UMA MENTE FÉRTIL?
Num repente, abri meus olhos e sentei-me na cama.
O teto de cor gélida parecia ainda mais frio naquele momento e meu coração disparado quase saía-me pela boca já bastante seca. Por um breve momento, tive dificuldades em entender o que havia acontecido. Que sonho estranho eu tivera, fez-me sentir muito incomodada em minha própria pele e eu tampouco soube dizer se tivera começo ou fim, pois parecera-me ser um daqueles pesadelos que começam já em meio a situações e do mesmo modo terminam.
Inevitavelmente, era impossível a mim parar de sentir aqueles arrepios típicos dos receios que nos inundam o espírito quando algo está prestes a acontecer ou quando de fato nos acontecem e a sensação realmente havia sido péssima, para ser sincera.
Fiquei pensando e repensando por alguns minutos sobre tudo aquilo, enquanto permanecia sentada na cama, ainda em muito envolta no choque das sensações.
Será que fora uma premonição, uma mensagem ou somente a minha mente cheia de preocupações que me pregara peças naquela noite, por pura fertilidade agressiva?
De todo modo, uma coisa era certa – eu nada sabia e o que conseguia dizer era tratar-se de mais um daqueles sonhos bem perturbadores, nos quais vi cenas que não ousaria descrever com riqueza de detalhes uma vez mais.
Vamos aos finalmentes.
ESCOLHAS INDUBITÁVEIS
Muitas pessoas estavam em pé celebrando uma recém-inauguração de um prédio que aparentava uma estrutura bastante simplória, porém com características um tanto quanto antigas, nada muito chamativo.
Em sua base, um enorme espaço projetado fora destinado aos automóveis e ali mesmo, naquele ambiente não muito espaçoso, que tudo deveras me aconteceu.
O lugar era terrível, a proximidade do topo com os corpos presentes tornava o ar sobremaneira rarefeito. O enorme acúmulo de pessoas estranhas parecia-me extremamente insuportável. Incrivelmente, eu não conseguia ver a face de ninguém, pois todos permaneciam de costas para mim – o que era muito conveniente para que eu saísse bem à francesa daquela superficialidade.
Porém, eis que os acontecimentos seguintes pouparam-me o esforço de compilar uma certa quantidade de energia a fim de, educamente, retirar-me.
É claro que o vínculo ou o desvínculo com os outros não era o suficiente para que eu me prestasse a dar maiores explicações sobre nada. Era apenas uma peculiaridade minha ser alguém petulante e arrogante a ponto de não sentir-me realmente na obrigação de corresponder ou explicar qualquer coisa que fosse; E se eu o fazia, era, por certo, em intenção.
Não obstante, eu jamais poderia negar que a civilidade sempre fora a minha maior discrição.
Mas o fato é que foi nesse exato instante que percebi uma leve alteração na atmosfera do lugar e ainda que ninguém parecera ter reparado, eu imediatamente entrei em estado de alerta.
Alguma coisa diferente estava acontecendo no campo invisível e eu não sabia explicar exatamente o que era. O chão pareceu-me ceder um pouco num rompante e parecia querer engolir-nos a todos. O desespero já estava plenamente instaurado no local e por isso é difícil descrever a sensação que aquilo tudo produzira. Porém, o que posso dizer é que as pessoas viam umas as outras – ou correndo para direções sem saída, ou totalmente paralisadas ao chão.
Para a minha visão perplexa, elas pareciam-me loucas e irracionais diante de tudo aquilo, como se o instrumento de metal que produz som tivesse soado forte para a merenda do meio da tarde e a ansiedade se generalizava aos pisotes e pinotes.
Nesse momento, ouvi as mais estapafúrdias lógicas sobre o peso do prédio ao tombar e os pontos de ancoragem indubitáveis para a sobrevivência. No entanto, o que mais causou-me espanto fora a resistência daqueles seres humanos escandalosos diante da saída mais óbvia.
É um fato de que não me agradara ponderar se interferiria a ofertar direcionamento a quem parecia não o desejar, bem eram capazes de levar-me à cova diante disso.
Sendo assim, dignei-me a dispor de minha intenção a duas pessoas que encontravam-se em meu espectro de alcance. Ambas pareciam-me confusas sobre o falatório caótico e percebendo o causo abordei-lhes rapidamente, pois não era tempo de se perder-se ao tempo.
Uma das pessoas, sem responder-me, saiu correndo para o que eu diria ser um belo de um beco sem saída, enquanto a outra não parecia saber por nada do que de si fazer.
Por alguma razão que desconheço, catei-lhe o pulso e a conduzi velozmente para a exposta saída do prédio – aquela que todos fingiam não existir – e daqui em diante vou poupar-lhes, caros leitores, das infortunadas cenas dramáticas que presenciei com uma tal riqueza de detalhes que foram a mim consideravelmente alarmantes depois de vistas em câmera lenta.
O FIM DOS FINS
Ao fim de tudo, enquanto olhava o prédio afundar num mar inesperado interposto entre mim e o local anterior, e claro, também dar com as caras em uma única cova criada densamente com areia bem preta, deparei-me com um homem a olhar-me de canto com um meio sorriso.
Eu não saberia dizer, porque pareceu-me mais, na verdade, julgar-me naquela realidade quase pós-apocalíptica; E, no entanto, é claro que eu é que não compreendera tal olhar e expressão.
Esse causo tornou por causar-me desconforto mas também um profundo respeito pela figura.
Você não me diria que tal sonho fosse simbólico por demais para ser mera criatividade?



