Esse escrito tensiona e intenciona, porque chove lá fora e talvez até aqui dentro.
É um banquete ofertado como presente desinteressado,
Uma dessas coisas incompreendidas ditas sem querer mesmo se fazer entender,
Porém, tão completo e apreciativo em sua amarga oferta.
Um vinho degustado bastante azedo e uma cesta pomposa de esperança vaga
Que se deixa a cada dia um pouco mais ficar .
É o recuo destemido do mar e notas de Cello oferecidas ao vento,
Esvaídas e esmigalhadas na ampulheta esgotada das presenças.
O desfoque na multidão, velocímetro quase parando, relógio meio quebrado.
É a passagem dos ciclos nas rubras rosas de um jardim abandonado
E a presença de si amortalhada no cemitério de todas as dores
Um silêncio que ecoa sem fim.
Um opaco luar congestionado no céu noturno nublado.
É infinitude para almas eternamente incompreendidas.
O buraco negro do espaço e que impera até demais nos corações,
O vazio das ausências e a fome descontrolada daquilo o que sacia.
É a faca que rasga o peito e deixa a ferida sanguinolenta pingando vida em jarro de vidro.
O som que ninguém escuta por mais limpa que esteja a música.
É Eva esculpida com a costela de adão nos barros mais profundos da alma
E Lilith no mundo, completamente desnuda.
A Solidão é Presença
De vida e de morte
Ao mesmo tempo
E no mesmo espaço.
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#NowPlaying: Dying Memories – Cello | Undead Minstrel



