Estive pensando sobre Deus, não exatamente sobre acreditar ou deixar de acreditar nele, mas sobre a concepção de sua existência diante do que sinto como significante em minha vida e acho que fiquei surpresa com os pensamentos quando permiti esse aprofundamento num entendimento tão particular, a partir do qual surgiu esse impulso de capturá-los através da escrita.
Não é minha intenção realmente que faça sentido para alguém e tampouco condiz com algum estudo que eu tenha feito sobre tópicos específicos como reencarnação e destino, por exemplo. Mas é apenas uma vontade de registrar a existência desse pensamento como se fosse fagulha na história que precisa reverberar ao longo de séculos seguintes – é dessa eternidade a que me refiro.
Antes de tudo, um pequeno entre-contextos, pois preciso alavancar um algo além desse algo.
Numa Terra de Ninguém
No meio dessas elaborações mentais me acometeu uma conclusão até bastante debochada em essência sobre os motivos de o mundo dar tanta importância para a questão dos direitos autorais e novamente me surpreendi quando percebi imensa indiferença de minha parte sobre o assunto. Não porque eu veja a mim mesma de algum modo como superior e sim porque compreendo o potencial de ser dos meus pensamentos e porque os possíveis resultados que visualizo, a partir desse vento que sai de dentro de mim para o mundo, faz valer os seus possíveis fins.
Veja bem, os direitos autorais são importantes para o mundo porque o mundo “todo” está mais preocupado com os benefícios de suas habilidades do que com os impactos ocultos delas. Todo mundo quer ter posse daquilo que acha que o engrandece, mas ao fim de tudo não têm nada. Portanto, olhe para o mundo e para a sociedade e deixai que os fins justifiquem os meios, pois as ilusões se mostrarão exatamente como os são.
Bem, a inteligência artificial hoje reside no cerne do regozijo mundial, onde todos acham que venceram as complexidades das coisas como são quando na verdade forjaram novas realidades dentro de novas realidades, onde tais inteligências se alimentam de outras inteligências, e estas, ainda pensam ter direitos sobre o alimento daquelas, numa terra que, hoje em dia, mais do que nunca, é mais de ninguém do que jamais um dia o foi.
Parece que esse dito não tem nada a ver, mas no fundo é apenas ciência declamada de que minhas elucubrações não são, talvez, novidades filosóficas tampouco minhas – já que tudo o que existe digitalmente é, agora, obra resumida de milhares de outros pensadores por aí.
Quero dizer que inteiramente não ligo, mas no fundo ligo, então serei hipócrita só um pouco, mesmo a reconhecendo aqui, porque desejo muito inteiramente não ligar, e de fato em muito não ligo, só que verdadeiramente falando eu me ligo toda.
Por que?
Ora, porque adoro me deleitar na ideia de ser fonte saudável no link dos pensamentos daqueles que gostam muito de pensar. E bem, não ligo totalmente, mesmo ligando, sobre esses direitos autorais, porque não preciso dos benefícios de minhas habilidades para definir quão grandiosa me faço através de meus pensamentos. Eu me faço mesmo é nos fins e estes fins é que sim, são apenas meus – quer o mundo saiba, reconheça ou não.
Então, que os fins justifiquem os meios uma vez mais e que a eternidade se faça no oculto das coisas ocultas que pairam nesse mundo – especialmente se esse meu inexistir existindo transforma mais mentes e consciências para graus ainda muitíssimo melhores.
Agora podemos adentrar no ponto forte dessa publicação, porque é sobre isso mesmo.
O Destino brota na Teoria do Irrefutável
Já se deram conta da volatilidade do ser humano?
Quando tudo está dando certo tendemos a acreditar que está tudo bem e favorável mas no exato instante em que repentinamente as coisas dão errado foi porque Deus quis assim, porque não era a hora certa, porque não era destino ou porque foi livramento. Você duvidaria disso?
Bem, eu não.
O fato é que tais máximas permitiram com que refletisse um pouco sobre a relevância desse pensamento o tempo todo sobre tudo e claro que o viés começa para mim sempre numa relação bastante interna, já que também caio nessas armadilhas do pensamento humano – afinal, somos cheios das falácias até que entendamos quando é que a cometemos em nossos discursos cotidianos – e ao fim, elas até nos parecem questão de humildade mas apenas se revestem de teoria irrefutável.
Pensando melhor sobre o quão engraçado soou isso no momento em que me dei conta, mesmo sabendo da existência das falácias ao longo dos anos, continuei perpetuando essa forma de me referir ao que eu não conseguia entender, apenas porque me fazia bem conseguir explicar algo que eu não tinha resposta ou entendimento pleno situacional – sem contar outras situações que não tornavam essa resolução nada fácil de separar no ato da coisa.
Bom, aí foi que caí num filosofar sobre Deus e não sobre falácias.
Acho que porque não tinha motivo direcionar minha atenção para aquilo o que já era bem claro.
Essência Divina de Deus
Refletindo sobre como tudo está sempre em constante movimento até quando está parado, Deus pareceu-me, mais uma vez, o que eu chamaria de força que rege e sustenta o universo, sem, no entanto, representar necessariamente uma inteligência controladora e julgadora em sua essência.
É energia vital, é a própria natureza e o próprio Universo em si.
Dos desígnios de Deus ninguém sabe, talvez nem o próprio Deus, já que este se movimenta conforme a vida, conforme tudo o que existe também se movimenta.
Esse pensamento me fez lembrar parcialmente sobre uma visão de Deus abordada um tanto quanto diferentemente no dorama coreano chamado <em>Desgraça a Seu Dispor</em> – que, por sinal, é excelente e super recomendo para abrir a mente com a visão de um Deus humano.
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Bem, penso que Deus não define o destino de ninguém porque o destino quem faz somos nós, a partir de nossas escolhas em cada momento e em cada situação de nossas vidas.
Portanto, Deus seria mais como uma espécie de energia sustentadora que rege toda a vida no Universo a partir do equilíbrio de todas as existências – sejam elas seres, planetas e afins. Tudo no Universo encontra a sua própria maneira de voltar ao equilíbrio e nisso não se caberia julgamentos e nem definições impostas por uma entidade máxima.
Transbordar é Libertação
É como se a existência de todas as coisas no Universo se movimentasse espontaneamente em prol do retorno ao equilíbrio, quer seu efeito tenha um resultado bom ou ruim, pois este é o balanço de todas as coisas que existem e coexistem.
Por exemplo, quando tentamos encher um copo de água.
Existe um limite no espaço-tempo aonde a água não poderá mais caber dentro do mesmo copo e então transbordará. Para o espaço-tempo não importa se o líquido se trata de água, suco ou vitaminas – a única coisa relevante é que para que tudo mantenha um equilíbrio é preciso que algo dê espaço para um outro algo.
Pensando isso, parece fazer ainda mais sentido a compreensão de que a morte é um dar espaço a algo que precisa renascer, pois o corpo físico não sustenta mais o peso de nossa presença e com o copo de água é da mesma forma. Quando vemos que a água transborda para a mesa é quando paramos de encher esse mesmo copo, pois percebemos que naquele espaço já não dá mais.
No entanto, isso é tudo o que vemos – uma visão limitada dos acontecimentos.
A única certeza é que por trás dos panos não existe garantia alguma e porque nada na existência é realmente sobre prosseguir em manuais. Se quem enche o copo fizer questão de continuar enchendo o copo, independente das consequências que o seu olhar limitado consegue alcançar, certamente continuará transbordando para o “infinito” e tal “infinito” se torna uma vez mais apenas outra questão de limitação do olhar.
Não há como enxergar tudo porque nada no Universo é realmente preciso e sendo assim, a espiritualidade e a existência humana, celestial ou qualquer outra forma de existência não se trataria de uma ciência exata, mas muitas das vezes nós a fazemos ser assim somente porque nos faz bem organizar as prateleiras nessa brincadeira de dar nome a todas as coisas.
A Intuição também vive na observação
Por fim, tudo o que existe e coexiste possui um caráter essencialmente imprevisível e por essa mesma razão, a nossa intuição também não se trataria de algo preciso e exato, pois a sua compreensão também surgiria a partir do espaço-tempo entre dois ou mais pontos, de forma muito espontânea e não racionalizada, porém muito memorial – e isso muda tudo.
Nessa perspectiva, o intuir algo não seria apenas ato divinatório sobre nossa própria caminhada mas também o peso e a medida de nossas observações sobre as coisas que nos cercam e nos influenciam nos vários momentos de nossas vidas.
Buscar ouvir nossa intuição sobre determinados caminhos não seria sobre ter precisão e sim sobre ser movimento perceptivo. Esse movimento emerge de uma sensação de certeza inexplicável sobre um algo que muitas vezes se faz lúcido diante da observação espontânea do todo que o envolve – como um pressentimento.
Mas é saudável também perceber a intuição como nossa voz interior sábia, não apenas divina, que nos orienta de forma rápida sobre memórias inconscientes de experiências anteriores que podemos não lembrar racionalmente, ou seja, como se fosse resultado de um gatilho mental que retrocede nossas sensações a situações experienciadas outrora.
Não se trata apenas de pressentimento ou mensagem divina, a intuição é também uma parte humilde de nossa capacidade de reagir imediatamente a algo que nos remete a outro algo.
Desse modo, resumidamente, penso que ouvir a intuição nessa totalidade de conceito é muito mais proveitoso do que apenas declararmos a nós mesmos se tratar de cunhos divinatórios ou ancestrais, porque não depositamos a responsabilidade dos resultados em aspectos externos mas sim em nós mesmos – o que para mim soa até mais poético, se quer saber.
Surpreendentemente, muitas vezes, a intuição é totalmente comprometida pelas vaidades de um raciocínio muito lógico ou até mesmo a menor das falhas de autoconexão.
Deus como Energia Intermediária
No dorama que mencionei anteriormente, apesar da fisionomia humana, Deus era como uma forma de energia que necessitava da evolução humana para ter vitalidade, existir e coexistir.
Para mim, sua existência não interfere necessariamente nas escolhas humanas, pois a meu ver ele simplesmente proporciona as escolhas como oportunidades de autoconhecimento e evolução.
Tudo o que nos encontra nessa vida trata-se daquilo o que necessitamos para transicionar em graus de evolução. Nos encontra por um motivo e esse motivo é sempre individual.
Deus, portanto, seria essa energia intermediária mas presente em todas as coisas e se movendo conosco, porque existe. Ele não define nosso destino, mas abre as portas para que aquilo o que precisamos nos encontre – porque seu desejo é a plenitude do equilíbrio.
Deus é a consciência de nossas escolhas, sendo nossas escolhas diárias o seu alimento vital.
Se escolhemos algo que é ruim para nós, Deus acompanha porque se movimenta conosco nesse bailar magnífico de existir nessa imensidão. Ele reside em nós e tudo o que vem de nossas escolhas acha a sua própria forma de encontrar o equilíbrio, quer queiramos ou não.
Deus é a fluidez da própria vida como ela é – não uma inteligência humana super poderosa que nos impõe circunstâncias, penalidades e mora no céu controlando as nossas ações.
Penso que é energia, assim como nós, se movimenta conosco como todas as coisas no Universo, sofre os efeitos de tudo o que tenta se equilibrar no universo – assim como nós.
Deus é vida, essência, energia, percepção, consciência, espírito, natureza, luz, sombra – somos nós, está em nós e se manifesta através de nós em todos os momentos de nossas vidas.
Talvez por traz de Deus exista outro algo que seja o fruto do equilíbrio do próprio equilíbrio de todas as coisas que existem e coexistem no Universo, mas provavelmente nunca chegaremos na “fonte” porque talvez ela não exista – justamente porque exista.
Meu Deus, o que existe depois de todo esse vácuo? Nada.
É onde tudo existe, porque é nele que reside a fonte de si mesmo.
E assim também somos nós e por isso o silêncio e a solidão também nos raptam.



