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O Destino é Sempre a Lua


O Destino é Sempre a Lua e a Lua é Sempre o Destino.

A fim de não deixar as atualizações do blog em hiato por tempo demais, o escrito de hoje será sobre algo mais pessoal, a considerar que da última semana para cá tenho me dedicado a preparar um ensaio mais pomposo sobre uma das obras de Oscar WildeSalomé.

A verdade é que esse espaço não é somente intencional – ele é a arte que me refugia no infinito das situações e na finitude dessa existência. Tudo aqui sempre foi sobre as minhas emoções – um ‘ser algo’ interno que tomei a liberdade e a acertada decisão de elevar a um outro patamar.

Percebo que tal essência vinga muito bem, talvez até mais nos detalhes, e é por isso que agora utilizarei desse espelho, a fim de eternizar reflexões sobre uma epifania de um recorte atual da minha vida, numa espécie de diálogo mais direto e agregador ao invés de mero diário.

 

A BUSCA QUE RESULTOU MAIS ALÉM

Recentemente, me peguei reparando alguns aspectos mais profundos que nortearam a minha caminhada até aqui e todas as vezes que procuro encontrar sentido nos resultados disso, eu pareço falhar uma vez mais. Algumas delas até se justificam, percebo seus aprendizados e a necessidade dos acontecimentos, porém, outras permanecem mais nubladas do que dias altamente chuvosos.

E foi na angústia e determinação por entendê-las que me vi ainda mais frustrada e sofrendo em dobro, de tanto tentar encontrar uma resposta para o que eu nunca compreendia. Terminei por me exaurir mais do que deveria e acho que cansei de seguir a busca desenfreada por algo que talvez nem precisasse realmente de uma resposta no fim das contas, mas sim de uma escolha ou simplesmente renúncia.

Naturalmente, eu parei de fazer tanta questão assim e isso trouxe a tona um novo tipo de sofrência, afinal, nada na vida é tão fácil como costumamos achar que deveria ser.

Bem, eu não diria se tratar de algo novo de verdade.

É já uma antiga questão, porém nunca teve realmente um caráter muito determinante nas situações da minha vida, já que costumava ser um ponto bastante sóbrio e óbvio desde o princípio.

Isso se trata mais de um revisitar lugares que eu não imaginava que fossem se tornar densos e sinuosos ao mesmo tempo em certo ponto da vida, o que me deixou bastante desnorteada e chateada.

Essa constatação, pela primeira vez, notavelmente me deixou perdida sobre algo que nunca antes havia sido uma preocupação e fez parecer que estava me perdendo mais de mim do que deveria.

No fim, não era mais somente sobre não encontrar as respostas que eu tanto precisava, mas também sobre o meu rumo – ou o meu destino, se assim preferir. E agora?

Para onde eu deveria seguir, se todos os lugares que acreditei serem para mim terminaram por se mostrar inacessíveis ou proibidos em razão de um destino que eu já não sabia mais do que se tratar?

Seria a hora de considerar com carinho voltar para as origens?

Seria o caso de aguardar mais do que já aguardei por algo que nunca se materializa?

Ou será que eu deveria forçar uma via qualquer, apenas para continuar seguindo em frente?

Mas seguir em direção ao quê, se não há nada pelo qual seguir?

Seguir de qualquer forma e a esmo, sem sentido algum, só para seguir?

Minha alma se satisfaria o suficiente a seguir um caminho no qual eu não tinha certeza do significado?

Será que isso tudo significava que eu teria apenas duas alternativas, então – ou ficar ou voltar?

Céus! Alguma dessas perguntas me traria a resposta que eu buscava de verdade ou só me atormentariam cada vez mais a clareza? Impossível, eu me recuso a aceitar esse destino miserável.

Eu fiz uma escolha genuína, nobre e rara. Não para assinar a sentença de morte da minha alma.

Esse não pode ser o resultado final depois de tudo o que caminhei e eu não aceito aceitar o indesejável.

E foi assim que a magia de viver mais uma vez se apresentou para mim.

 

NA TRILHA DO AMOR

O que muitos diriam se tratar de um porto seguro, não foi exatamente o meu caso. Bom, foi e não foi. 

Essa resposta é relativa, porque depende de perspectiva, mas na verdade, não vem ao caso discuti-la, porque o que basta por agora é entender que por causa desse imenso vácuo, desde muito cedo, e eu diria cedo até demais para alguém em desenvolvimento, eu defini essa singela gigante para seguir.

É mais uma das histórias de tantas pessoas por aí nesse mundão, que na ausência de aspectos importantes demais para serem meros detalhes, acabam trilhando uma jornada pautada naquilo o que não tiveram.      Às vezes, isso começa até sem nos darmos conta. É muita psicologia envolvida, algo profundamente enraizado e que, felizmente ou infelizmente, muda tudo – quem somos, nosso destino, nossa forma de enxergar o mundo e as pessoas, o que buscamos e as coisas que necessitamos.

 

Na trilha do amor

 

Não é algo bom nem ruim, é somente mais uma questão de perspectiva, escolhas e renúncias.

A grande maior parte da vida mundana nunca me atraiu, as pessoas sempre pareceram estranhas para mim, todas sempre com os mesmos pensamentos direcionados às mesmas coisas, como se não houvesse outro caminho a se seguir e por vezes como se não soubessem sequer pensar por si próprias.

Seguindo um rumo destoante demais para o momento atual, somos apedrejados pela anormalidade que acredita fortemente viver nas normalidades, mas sem nunca enxergar absolutamente nada.

Todo mundo o fruto de outro fruto, e assim cada vez mais e mais.

Os desafios de quem se arrisca a pensar e ser diferente nunca são fáceis, e como se isso já não bastasse, ainda é preciso lidar com as tais das coisas internas. Provavelmente, muitos caem na hipnose da comodidade, por tudo ser desconfortável demais de se encarar a olho nu, e outros não tem o vigor necessário do espírito para se sustentarem na caminhada dos próprios desejos.

De fato, é tentador quando tudo o que você enfrenta são portas na cara, negativas, decepções e sofrimentos psíquicos além do que se poderia imaginar a alguém suportar tão de pé.

Sim, é realmente muito complicado quando o que resta parece ser somente o limbo.

Muitos fatores favorecem os mesmos resultados, um após um. Mas parece haver um momento específico em que a resiliência se torna um sofrimento agudo demais para que nos seja possível sustentar nossos desejos mais intensos e arrisco dizer que é aqui aonde realmente os grandes desvios acontecem – como o ponto fatídico em que a permissão para se deixar levar na correnteza das mesmices e das realidades miseráveis são concedidas com o único intuito de apenas sentir algum senso de normalidade ou d’alguma resolução, mas que por fim, ainda nos conduzem a uma infelicidade aterradora de todo modo.

Foi aí que me encontrei – com toda a ambiguidade que essa simples frase possa mesmo ocasionar em quem a lê nesse exato momento. Sim, foi nessa linha tênue de separação entre o que idealizei a vida inteira e aquilo da qual fugi com todas as minhas forças, que eu me encontrei.

Não digo que há certeza sobre nada do que falarei a partir daqui, porque eu mesma não sei dizer se por um talvez EPT eu não tenha me deixado boiar na tal hipnose. Só o que sei, por enquanto, é que não há expectativas, somente alívio. Ou seria libertação?

No fim, o caminho que trilhei agora parece ter se perdido no mar das ilusões; parece ter perdido seu rumo na árdua ânsia de se fazer realizar ainda na vida presente e por isso mesmo já não sei direito como estar.

 

EPIFANIA

Acordei como se não tivesse parado de pensar nem mesmo enquanto dormia, mas a mente não estava cansada – milagrosamente. Foi mais como um não saber quando o pensamento começou e se começou realmente assim que abri os meus olhos no dia de hoje.

O fato é que ontem passei boa parte do dia me questionando qual seria a próxima direção, pois estava me sentindo completamente perdida – ainda que tivesse objetivos bem definidos na mente e um planejamento até bem razoavelmente meticuloso, mas como dito anteriormente, muitas questões me assolavam.

Como eu poderia saber qual seria a próxima direção se o que me movera até aqui havia sido algo que agora não mais existia? Sempre fui da estrada e gosto por demais disso, no entanto, a direção sempre foi definida por aquilo o que me faltava e me dar conta disso numa situação quase de beco sem saída foi algo terrível para ser encarado e ainda por cima totalmente só no mar dos inconsolados.

Epifania

 

Nada fazia sentido naquele momento, eu não tinha clareza sobre quase nada – quem ou o quê eu queria era sempre inacessível, por mais que tentasse alcançar; nenhum lugar parecia ser o meu lugar; eu me distanciava da minha fé por pura desesperança e falta de alegria; me sentia enlouquecer com tantos pensamentos intrusivos, maldosos, super depravados, insanos ou violentos e enquanto internamente continuava a recusar aquilo o que insistia em querer me fazer acreditar se tratar do meu destino.

E eu ainda recuso, porque não vou aceitar algo que eu não desejo. Essa mediocridade não me cabe e não combina em nada comigo e portanto, um algo a mim impossível de se conceber.

Não quero acreditar ainda que eu tenha definido a minha jornada em algo ilusório, como os contos de fadas da Disney, porque algo em mim ainda impera sobre essa visão bastante antiquada.

Mas, de fato, é raridade encontrar Almas poéticas antigas na Modernidade. A adaptação é necessária para sobreviver e essa cautela em proteger o que, ingenuamente entreguei a qualquer um, pode tornar mais difícil o reconhecimento no meio da multidão – ou não, talvez eu só não tenha encontrado semelhantes.

De todo modo, tenho aprendido a não criar expectativas sobre essas tais “quase” lendas e a focar mais em aproveitar a solitude da minha solidão. Afinal, nunca foi certo eu caminhar colocando terceiros como ponto de chegada. Não que definir essa trilha tenha sido algo errado ou ruim, mas não estava inteiramente certo também. Se fosse assim, eu não estaria num beco quase sem saída.

Portanto, não é saudável definirmos o nosso rumo através daquilo o que nossa criança interior ferida determinou como um objetivo de vida para nos orientar ao longo da jornada – ela é mais do que isso.

Não é errado, mas se a nossa jornada se tratar apenas disso, certamente terminaremos sofrendo num beco meio sem saída. E essa foi a lição dura de hoje, para quem fez justamente isso só a vida toda.

Mesmo que a minha resiliência tenha sido em busca de uma idealização nobre sobre o campo afetivo, ainda assim, sem perceber muito bem, eu pautei o meu “destino” através do outro e não através de mim mesma e até existem duas perspectivas sobre isso, porém prefiro me limitar somente à epifania do dia.

Se para a minha vida fazer sentido em todos os aspectos que a dizem respeito, eu precisar da existência daquilo o que de importante eu não tive, então não estou vivendo para aquilo o que realmente desejo – estou vivendo para aquilo o que eu escolhi acreditar ser necessário para alcançar o que desejo.

Por exemplo, se eu defino o meu destino no âmbito amoroso por aquilo o que eu não tive suficientemente na minha vida, mesmo sendo o que faz sentido para mim, eu ainda estou vivendo pelos outros e não por mim mesma, ainda estou depositando em outra pessoa o poder de definir o meu próprio destino – quando o tempo todo isso deveria ter sido sobre mim e não sobre o outro.

A partir do momento que aquilo o que faz sentido não existir mais para ser a Lua na estrada, perde-se o rumo totalmente – sendo que esse rumo sempre deveria ter sido nós mesmos desde o princípio.

É bastante óbvio, mas ao mesmo tempo não é tanto assim.

 

O DESTINO É SEMPRE A LUA

 

O Destino é Sempre a Lua; Moon; Reflexões; Ciclos; Individuação

 

O rumo é definido por nós mesmos, independente de acreditarmos em destino, karma ou vidas passadas.

A próxima parada é em qualquer lugar que desejamos estar, porque qualquer lugar é o nosso lugar.

O pertencimento não reside fora de nós, mas sim dentro de nós e desse modo, o nosso lugar é aonde nós estamos – ou seja, dentro de nós mesmos.

Não é preciso um motivo maior do que nós mesmos para encontrarmos a próxima direção, só é preciso escolhermos um lugar que desejamos estar naquele momento. Quem sabe essa é uma outra forma de construir ou encontrar um sentido, a partir das escolhas e renúncias. 

No fim, a questão primordial é que só precisamos ser nossa própria Lua e ela sempre nos levará a algum lugar – e não as feridas, o vazio ou mesmo as pessoas que nos levarão ao nosso destino.

É uma questão de perspectiva e de escolha, porque ao fim do dia, todos os lugares são nossos para pertencer – só basta mesmo escolher.

Acredito que essa resposta é mais do que o suficiente no agora.

Blog Literário Alternativo escrito por Moxferia e que traz publicações relacionadas a resenhas literárias e críticas, recomendações de livros, estudos sobre espiritualidade e magia, reflexões filosóficas e devaneios, poemas autorais, textos e artigos sobre vampiros e outras criaturas, cinema, arte, música e jogos relacionados.

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Moxferia

Sol em Áries, Lua e Ascendente em Virgem, Lilith em Libra e Vênus em Peixes – tenho 37 anos, sou formada em Design Gráfico e mãe de nove gatos super amorosos.

Sou forjada nas emoções, tenho uma queda sinistra pelo universo da mente humana e por isso considero-me uma filosofeira de plantão, metida a escritora e com aquele olhar mais espiritualizado para os detalhes ocultos e obscuros.

Amo escrever e sou apaixonada por livros, poesia, arte, cinema, espiritualidade, coisas antigas e exóticas. 

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