Absortitude


Tem dia que dá um aperto no peito e o coração só quer lastimar. 

Tem dia que bate aquela carência e ao mesmo tempo a vontade de só estar. 

Tem dia que a gente caminha e não sabe como deu o passo 

E dia que esquece mesmo a chaleira no fogo e a água do filtro a encher a jarra até transbordar.

Tem dia que a gente finge que não ouviu nada 

Tem dia que a gente finge que nada viu 

E tem dia que não dá vontade de falar e dia que a gente só escolhe não lembrar. 

Até dá para se questionar se ainda estamos vivos ou se só estamos seguindo para qualquer lugar.

Mas por mais absurdo que isso pareça, não é sobre estar sem propósito ou sem destino para seguir, mas sobre saber selecionar.

Porque tem pessoas que não valem a pena o desgaste, tem situações que não fazem sentido perder a cabeça.

Tem briga que se briga sozinho, tem atitude que não se alimenta e também tem sentimento que não adianta de nada ficar a pensar. 

Aí, entre a dor da espera e o sofrimento que a ansiedade oferece de graça.

A alma da gente escolhe filtrar e o resto ela se deixa anestesiar,

Só para amortecer os nervos, porém sem deixar de enxergar. 

E é incrivelmente fantástico não sentir absolutamente nada além de uma imensa absortitude ao se deparar com as ardilosidades alheias miradas para as nossas cabeças, como flechas envenenadas e em intenção um bom bocado de certeiras.

Enquanto as palavras se desenlaçam bem diante dos nossos olhos e a respiração é o pulsar dos nossos corações, hipnóticamente concentrados naquele espaço de tempo que uns juram passar sutilmente por nós, é que o tempo desacelera e percebemos, mais claramente ainda, a tal flecha da morte em nossa direção vigorosamente se lançar. 

É muita disposição para envenenar e dilacerar.

Mas a dita cuja só camufla a imensa miséria interior dos ardilosos, enquanto que eu sigo esquivando em vibrantes bailares e regando o jardim que tanto desejo admirar.

Blog Literário Alternativo escrito por Moxferia e que traz publicações relacionadas a resenhas literárias e críticas, recomendações de livros, estudos sobre espiritualidade e magia, reflexões filosóficas e devaneios, poemas autorais, textos e artigos sobre vampiros e outras criaturas, cinema, arte, música e jogos relacionados.

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Moxferia

Sol em Áries, Lua e Ascendente em Virgem, Lilith em Libra e Vênus em Peixes – tenho 37 anos, sou formada em Design Gráfico e mãe de nove gatos super amorosos.

Sou forjada nas emoções, tenho uma queda sinistra pelo universo da mente humana e por isso considero-me uma filosofeira de plantão, metida a escritora e com aquele olhar mais espiritualizado para os detalhes ocultos e obscuros.

Amo escrever e sou apaixonada por livros, poesia, arte, cinema, espiritualidade, coisas antigas e exóticas. 

"The great art of life is sensation, to feel we exist, even in pain."

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