Desejos Ardentes de uma Súcubos é o nome que dei atualmente para um escrito bastante antigo que importei de outro blog meu, cujo acesso foi perdido.
Refinei um detalhe ou outro apenas, na intenção de preservar ao máximo ao máximo a essência e a originalidade desse escrito que teve pauta em um sonho voluptuoso que tive na época.
Espero que seja satisfatória a leitura.
O SONHO VOLUPTUOSO
Não saberia dizer quando começou todo aquele turbilhão de sinestesia, apenas constato que deleitava-me naquelas sensações ébrias que faziam-me aventurar por mundos desconhecidos como se fosse um sonho.
Eu era personagem real mas também encontrava-me como expectadora de um espetáculo que não parecia nada surreal.
A imagem surgiu como a chuva que deságua num repente, tão intensa e imprevista que provocou a minha reação retardada, ou então, a não reação. Fiquei estática, como uma escultura grega que tudo vê e ouve, porém nada fala ou faz. Meu corpo pulsava de uma maneira que nunca havia sentido e um desejo ardente invadia-me como se eu fosse a qualquer momento avançar em cima daquele ser carregado de uma força magnética que eu não entendia. Aquele falar sem nenhuma palavra, sequer um suspiro, apenas o olhar fixo querendo dizer um milhão de coisas inauditas.
Ambos nos aproximávamos, sem nem ao menos disso nos apercebermos, e então eu senti, colado ao meu corpo, um membro insaciável de presença voluptuosa imensa, como se fosse um monstro esfomeado em seu exílio quase eterno, embora cedendo aos poucos a um quase inabalável orgulho.
Eu parecia uma fera cheia dos desejos ardentes de uma Súcubos – os mais impiedosos e ao mesmo tempo tão inteiramente apaixonados – pronta para atacar sem dó e sem escrúpulos.
Tudo aflorava como o sangue de uma apunhalada mortal.
Eu queria aquele corpo provido de alma, tão sublime.
Eu queria aquela face delicada e encantadora.
Enlouqueci de um prazer absoluto sem de fato senti-lo e isso foi o suficiente para que eu esquecesse quem era e onde estava.
Ataquei-o velozmente com meus lábios famintos, sem pausas, sem tempo para que pudesse respirar.
Não deixei resquícios de pensamentos sóbrios, eu queria jogá-lo no abismo dos meus desejos e possuir tudo aquilo o que já era meu por direito e por carma.
Por destino.
De repente, tudo some e o ar fica tão seco quanto o próprio deserto.
Abro os olhos e uma onda de desgosto percorre minha alma.
Frustrada, lanço meu olhar para o lado e vejo que o relógio marcava que eu ainda estava em tempo hábil. Realmente eu não estava atrasada como eu gostaria de estar naquele momento.



